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AVALIAÇÃO DA COMUNICAÇÃO MÉDICO-PACIENTE NA <I>(EVALUACIÓN DE LA COMUNICACIÓN ENTRE MÉDICO Y PACIENTE EN LA)</I> PERSPECTIVA DE AMBOS INTERLOCUTORES - Red Científica Iberoamericana (RedCIbe)

Red Científica Iberoamericana

AVALIAÇÃO DA COMUNICAÇÃO MÉDICO-PACIENTE NA (EVALUACIÓN DE LA COMUNICACIÓN ENTRE MÉDICO Y PACIENTE EN LA) PERSPECTIVA DE AMBOS INTERLOCUTORES

Rayssa Lima Braga1,Nadia Prazeres Pinheiro Carozzo2,Bruno Luiz Avelino Cardoso3 y Catarina Malcher Teixeira4
1Psicóloga, Especialista en intervención ABA para autismo y deficiencia intelectual, Clínica TAAL, São Luis, Brasil
2Psicóloga, Maestra en Psicología de la Salud, Profesora, Universidade Federal do Maranhão, San Luis, Brasil
3Maestro en Psicología, Universidade Federal do Maranhão, San Luis, Brasil
4Doctora en Psicología, Profesora, Universidade Federal do Maranhão, São Luis, Brasil

São Luis, Brasil (SIIC)

A comunicação médico-paciente favorece a adesão ao tratamento, o (la adhesión al tratamiento, el) alcance de resultados em saúde e a satisfação do usuário com o atendimento (y la satisfacción del usuario con la atención).

A comunicação médico-paciente é um importante elemento terapêutico, pois permite o compartilhamento de (ya que permite compartir) informações clínicas, compreensão do estado de saúde e terapêutica proposta,1,2 favorece a adesão ao tratamento, e em consequência, a obtenção de melhores resultados em saúde e satisfação com a experiência de cuidado.3,4 Para tanto, é preconizado o uso de comunicação centrada no paciente, que garante o entendimento (se recomienda la comunicación centrada en el paciente, para garantizar la comprensión) de informações, o suporte à autogestão do paciente, o manejo adequado da incerteza e das emoções (el abordaje adecuado de la incertidumbre y de las emociones), compreensão do sujeito de forma psicossocial e culturalmente contextualizada e o alcance de concordância acerca, tanto do problema, quanto do (y el acuerdo en relación tanto con el problema como con el) tratamento a ser seguido.5,6

A comunicação pode ser compreendida a partir da interação de dois componentes, a saber, conteúdo e processo. O conteúdo da comunicação refere-se aos elementos verbais, isto é, o que se fala, a informação que é transmitida (esto es, lo que se comunica, la información que se transmite). Enquanto o processo de comunicação inclui elementos não verbais, que se referem ao como se fala: olhar e contato visual, sorriso (que se refieren a la manera de hablar, la forma de mirar y el contacto visual, la sonrisa), gestos, expressão facial, postura, meneios com a cabeça (movimiento de la cabeza), contato físico, proximidade/distância; e elementos paralinguísticos, que se referem ao que acompanha a fala (que refieren a lo que acompaña a la comunicación): latência, duração, volume, velocidade, ritmo, tonalidade e fluência.7,8

As Diretrizes Curriculares Nacionais do Curso de Graduação em Medicina, em seu artigo 5, item VII, estabelece que o médico deve concretizar a comunicação com seu paciente, “por meio de linguagem verbal e não verbal, com usuários, familiares, comunidades e membros das equipes profissionais, com empatia, sensibilidade e interesse, preservando a confidencialidade, a compreensão, a autonomia e a segurança da pessoa sob cuidado do (y la seguridad de la persona bajo el cuidado del) Sistema Único de Saúde” (p. 2).9 Não obstante, mesmo consideradas necessárias pois funcionam como requisitos básicos para um desempenho socialmente competente,10 elas não vêm sendo abordadas (estas no han sido abordadas) de maneira sistemática por professores e coordenadores de curso.11

Por outro lado, a Política Nacional de Humanização do Sistema Único de Saúde – PNH/HumanizaSUS aposta em inovações que perpassam por (apuesta por innovaciones que propicien) uma comunicação efetiva, tais como valorização da autonomia, protagonismo e corresponsabilidade dos pacientes no seu processo de saúde.12 Apesar da política e da constatação de que a humanização da relação médico-paciente traz efeitos positivos não só para o tratamento e satisfação do usuário, mas para a qualidade geral do serviço, profissionais deixam de atentar à aspectos psicossociais do paciente (genera efectos positivos, no solo para el tratamiento y la satisfacción del usuario sino para la calidad general del servicio; los profesionales dejan de prestar atención a los aspectos psicosociales del paciente).13

Investigações prévias apontam para déficit do repertório de habilidades comunicativas do médico, especificamente no componente não-verbal,14,15 o médico falar mais que o paciente e encerrar discussões, isto é, comunicação centrada no médico (el médico habla más que el paciente y da por finalizadas las discusiones, esto es comunicación centrada en el médico),16 uso de linguagem técnica, interrupção enquanto o paciente fala, ignorar as perguntas por ele feitas e a adoção de comportamento defensivo do médico (ignorar las preguntas que él formula y la adopción de una postura defensiva por parte del médico), baixo nível de escolaridade médica dos paciente e alta carga de trabalho.17

Este estudo* tem como objetivo analisar a comunicação médico-paciente na prática médica ambulatorial sob a perspectiva de ambos os interlocutores (bajo la perspectiva de ambos interlocutores).

A pesquisa tem estratégia quantitativa, descritiva, comparativa, correlacional e não experimental. Trata-se de uma replicação parcial de pesquisa de Jorge13 em uma amostra de 20 médicos e 20 pacientes do nordeste do Brasil. Seguiu em conformidade com os princípios contidos na Declaração de Helsinque da Associação Médica Mundial ([AMA], 1964)18 e reformulações, bem como aqueles contidos na (así como aquellos contemplados en la) Resolução nº 466 de 12 de dezembro de 2012 que dispõe sobre as Diretrizes e Normas Regulamentadoras de Pesquisas envolvendo Seres Humanos (Ministério da Saúde [MS], 2012).19
Protocolo de Caracterização Individual (PCI) versão paciente. Este questionário foi elaborado para esta pesquisa e contempla informações sobre sexo, idade, escolaridade, presença ou ausência de diagnóstico clínico, tempo de acompanhamento no serviço, natureza do serviço (se da rede pública ou privada), como escolheu ou foi encaminhado ao médico, tempo em que é paciente desse médico e natureza da consulta (primeira vez ou retorno).

Protocolo de Caracterização Individual (PCI) versão médico. Também elaborado para este estudo, conta com informações sobre: sexo, idade, ano de conclusão da graduação em Medicina, especialidade médica, rede de saúde em que trabalha, informação sobre treinos em comunicação médico-paciente e o grau (información sobre capacitación en la comunicación entre médico y paciente y el grado) de satisfação profissional.

Instrumento de Pares Relacionados (IPR). Para avaliação das habilidades comunicacionais dos médicos na prática profissional foi utilizado o Matched-Pair Instrument (MPI). Trata-se de um instrumento canadense que, atualmente, é propriedade do Conselho de Medicina do Canadá.20 A versão brasileira do questionário, com estudos de tradução, adaptação e validade realizados por Jorge,13 foi nomeada de (ha sido denominada como) Instrumento de Pares Relacionados (IPR). O IPR possui uma versão para médicos e uma para pacientes.

Os escores médios do IPR foram 81.15 (DP = 10.18) para a versão médico e 79.20 (DP = 12.60) para a versão paciente (Tabela 1).


Médicos e pacientes têm percepções positivas sobre a comunicação estabelecida entre eles. Estas evidências podem ser consideradas satisfatórias, por serem capazes de potencializar efeitos positivos em saúde e (su capacidad para potenciar efectos positivos en la salud y) funcionar como mediadora de comportamentos como satisfação com a consulta, verbalização das dúvidas, adesão ao tratamento e exposição de sentimentos.21 Pesquisa anteriores também encontraram que ambos atores avaliaram a (ambos participantes evaluaron la) comunicação de forma positiva,13,22,23 tendo os médicos avaliado melhor que os pacientes (siendo los médicos evaluados de manera más positiva que los pacientes)23 tal qual neste presente estudo; e, em outros estudos, o paciente avaliado melhor que o médico.13,22
Em relação aos componentes da comunicação, os resultados apontam que tanto os médicos, quanto os pacientes, consideram que o profissional apresenta maior facilidade nos itens referentes ao Processo de Comunicação. Nesse aspecto da comunicação são exigidos comportamentos essenciais para uma escuta atenta e acolhimento do paciente, incluindo o uso, sobretudo, de dimensões não verbais e (una escucha atenta y receptiva del paciente incluyendo, sobre todo, las dimensiones no verbales y) paralingüísticas (NVP). Pesquisas anteriores também encontraram dados semelhantes aos achados neste (datos semejantes a los recabados en este) estudo, onde os médicos se autoavaliaram de maneira mais competente na habilidade de comunicação socioemocional, incluída no aspecto processo de comunicação, que nas demais habilidades, como o repasse de informações, que se refere ao conteúdo da comunicação.13,24

Na análise item a item, percebe-se que o item que recebeu maior média na avaliação dos médicos foi o item 5 (Compreensão do que o paciente tinha a dizer). Isso pode ter ocorrido devido ao foco dirigir-se na sintomatologia da doença 25 (Esto puede ocurrir debido a que el foco se centra en la sintomatología de la enfermedad) e o profissional orientar-se fundamentalmente para identificação de domínios específicos que devem ser integrados à anamnese médica tradicional.26
Já na avaliação do (En la evaluación del) paciente, o item que obteve maior média foi aquele que se relaciona com Satisfação com a consulta do dia. Este resultado pode estar relacionado a que já que comunicação com médico foi considerada positiva, a qualidade da consulta foi percebida como boa.21

Por outro lado, os itens com menores escores foram Discussão das opções de tratamento na perspectiva dos médicos.14 Indo ao encontro de resultados que sinalizaram que (Yendo al encuentro de resultados que indicaran que) (a) os pacientes recebiam explicações pouco claras sobre diagnóstico e tratamento;27 (b) os itens referentes à explicação de solicitação e resultados de exames foram os que obtiveram menores médias;13 e (c) os médicos buscavam manter uma relação empática com o paciente, mas apenas 40% realizavam explicações claras e compreensivas sobre o problema.28
Ter um bom repertório de habilidades sociais está associado ao sucesso ou satisfação profissional (rho = 0,493, p = 0,032), naquelas profissões que exigem a utilização intensa de relações interpessoais,29-32 como é o caso da profissão médica. Ademais, estudos indicam que um elaborado repertório dessas habilidades favorece o enfrentamento ao estresse, ansiedade e depressão,10,33 que têm sido identificadas no contexto do (el abordaje del estrés, la ansiedad y la depresión, identificados en el contexto del) trabalho médico e dos profissionais de saúde em geral.
Outrossim, os pacientes com mais idade avaliaram os médicos com melhores habilidades comunicativas (rho = 0,454, p = 0,044), sobretudo no processo de comunicação (rho = 0,500, p = 0,025). Duas hipóteses podem ser levantadas: (1) pacientes mais velhos tiveram acesso a médicos de várias gerações e, portanto, com formação no paradigma biomédico anterior. Com isso, podem ter identificado mudanças na atuação desse profissional ao logo do tempo e tenderem a avaliar melhor os médicos atuais ao compará-los com os anteriores. (Así, podemos identificar cambios en la actuación de los profesionales a lo largo del tiempo, lo que tiende a una mejor evaluación de los médicos actuales al compararlos con los anteriores) (2) Pacientes mais velhos podem ser menos exigentes quanto ao desempenho do profissional, por frequentarem mais consultas médicas.

Considerações finais

Os resultados demonstraram que tanto médicos como pacientes perceberam de forma positiva as habilidades comunicativas do médico; que os médicos têm maior facilidade do processo comunicativo que no conteúdo da comunicação (los médicos tienen más facilidad en el proceso comunicativo que en el contenido de la comunicación en sí); e correlações diretas e significativas entre as habilidades comunicativas do médico com a sua satisfação profissional e a idade do paciente.

A análise da díade (El análisis de la díada) médico-paciente retoma a discussão das habilidades interpessoais dos profissionais de saúde e reforçam que habilidades de comunicação (verbais e NVP) precisam ser continuamente desenvolvidas.

Apesar de suas contribuições, é necessário indicar algumas limitações deste estudo. A primeira reside no tamanho amostral, que por ser reduzido, compromete a generalização dos dados. O acesso e disponibilidade da população foram dificultados devido à grande quantidade de pacientes que aguardavam atendimento, fazendo com tanto médicos quanto pacientes resistissem à participação no (provocando que tanto médicos como pacientes tuvieran resistencia a participar en el) estudo. Outra limitação é inerente aos instrumentos de autorrelato, qual seja, a de que o participante pode haver respondido sob controle da desejabilidade social e, nesse sentido (es decir, que el participante puede haber respondido bajo el control de la conveniencia social y, en ese sentido), sobreavaliado as habilidades comunicativas do profissional.

Enquanto agenda de pesquisa, sugere-se estudos com um número maior (se sugieren otros estudios con mayor cantidad) de médicos e pacientes. Isso permitiria a caracterização e comparação do atendimento nos espaços público e (de la atención en los ámbitos público y) privado, diferenças entre os sexos tanto de médicos quanto de pacientes, a avaliação de um médico por mais de um paciente e a generalização dos dados. Ademais, destaca-se a relevância de novos estudos que utilizem outros desenhos metodológicos, como é o caso da observação sistemática dos componentes verbais e NVP no processo de comunicação médico-paciente.


Nota de la redacción: El artículo ha recibido financiación de la Fundação de Amparo a Pesquisa e ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico do Maranhão (FAPEMA).



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