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QUALIDADE DE VIDA DE PESSOAS IDOSAS EM UMA CIDADE DO NORDESTE BRASILEIRO - Red Científica Iberoamericana (RedCIbe)

Red Científica Iberoamericana

QUALIDADE DE VIDA DE PESSOAS IDOSAS EM UMA CIDADE DO NORDESTE BRASILEIRO

Adriano Filipe Barreto Grangeiro1,Fabiano de Jesus Furtado Almeida2,Ana Eugênia Araújo Furtado Almeida3 y Lucy de Oliveira Gomes4
1Fisioterapeuta, Profesional de Educación Física, Doutorando em Gerontologia, Universidade Federal do Tocantins, Tocantinòpolis, Brasil
2Profesional de Educaciòn Física, Universidade Ceuma, San Luis, Brasil
3Terapeuta Ocupacional, Universidade Ceuma, San Luis, Brasil
4Médica, Universidade Católica de Brasília, Brasilia, Brasil

Tocantinòpolis, Brasil (SIIC)

O fenômeno do envelhecimento populacional gera interesse nas políticas públicas de saúde no Brasil, principalmente em questões relacionadas à qualidade de vida dos idosos. Assim, o objetivo deste estudo foi investigar o perfil demográfico, nutricional e a qualidade de vida de idosos institucionalizados e não institucionalizados em uma cidade do Nordeste brasileiro.

O envelhecimento faz parte da realidade da maioria das sociedades. Estima-se que, até o ano de 2050, existam cerca de dois bilhões de pessoas com sessenta anos ou mais no mundo, a maioria vivendo em países em desenvolvimento.1 No Brasil e no mundo, o aumento da proporção de idosos aponta para a conjuntura da dinâmica populacional com dados demográficos e epidemiológicos de transição, causando mudanças nos padrões de saúde, socioeconômicos, culturais e ambientais.2

A parcela de crescimento mais rápido da população mundial é de idosos, o que é confirmado por dados demográficos da idade, mostrando que o aumento da pirâmide no topo da idade pode ser visto pela crescente parcela relativa da população com 65 anos ou mais, que foi 4.8% em 1991, subindo para 5.9% em 2000 e atingindo 7.4% em 2010.3 A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD),4 realizada em 2013, mostra que o número de pessoas com 60 anos ou mais cresceu de 9.0% para 13% do total da população entre 2001 e 2013.

Nessa perspectiva, a região Nordeste apresenta maior ganho de expectativa de vida em 30 anos, pois em 1980 a expectativa de vida ao nascer era considerada menor, ou seja, 58.25 anos e em 2010 atinge 71.20 anos, obtendo um ganho de 12.95 anos.5 Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE)6 do Censo de 2010 mostram que a população de idosos do estado do Maranhão representa 568 681 (8.3%) e a cidade de São Luís, cidade do nordeste brasileiro, de 77 971 idosos, ou seja, 7.4% da sua população total.

Considerando o crescimento acelerado da população idosa nos países desenvolvidos e em desenvolvimento, é relevante preocupar-se com a velocidade com que o aumento do número de idosos na sociedade brasileira está ocorrendo e as consequências que esse fenômeno acarreta.7

Envelhecer adequadamente depende de um equilíbrio entre os limites determinados pelos anos vividos e as capacidades e/ou potencialidades do indivíduo.8

O envelhecimento é interpretado como um processo multidimensional que resulta da interação de fatores biológicos, psicoemocionais e socioculturais.9 A velhice é uma etapa da vida, parte integrante de um ciclo natural, constituindo uma experiência única e diferenciada.10

Para idosos brasileiros, ainda é um grande desafio envelhecer com qualidade de vida e independência ante as condições de vida, pois existem eventos adversos, como perda ou trauma, doenças que afetam a vida desses idosos, de tal forma que, muitas vezes, a cura não é alcançável e a terapia pode ser muito prolongada, sendo necessária preencher lacunas importantes em relação à qualidade de vida, principalmente no que tange à saúde.11-15

A inatividade física, a dependência e a incapacidade são fortes adversários do envelhecimento, resultando em perda de autonomia, instabilidade postural e declínio cognitivo.16-18 Assim, este artigo teve como objetivo investigar o perfil demográfico, nutricional, qualidade de vida de idosos institucionalizados e não institucionalizados de uma cidade do Nordeste brasileiro.

Trata-se de um estudo observacional transversal de abordagem quantitativa, desenvolvido em Centro de Atenção Integral à Saúde do Idoso (CAISI), que inclui idosos não institucionalizados, praticantes de atividade física regular e duas outras instituições, locais onde os idosos são institucionalizados, não praticam atividade física regular e pertence à Instituição de Longa Permanência localizada na cidade de São Luís, uma das cidades do Nordeste do Brasil.

O número de participantes foi de 40 idosos, 20 institucionalizados e 20 não institucionalizados. Os critérios de inclusão para este estudo foram: idosos do sexo masculino e feminino, clinicamente estáveis, com 60 anos ou mais, sem comprometimento cognitivo e concordando em participar do estudo, assinando o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido. Para idosos não institucionalizados que deveriam ser praticantes de atividade física, o indivíduo que relatou realizá-la pelo menos cinco vezes por semana durante pelo menos trinta minutos foi considerado praticante de atividade física.19

Os idosos incapazes de responder à entrevista foram excluídos da pesquisa, na ausência de um responsável legal; Idosos com episódios recentes de doenças cardiovasculares, osteomusculares e/ou instabilidade hemodinâmica que limitavam a realização segura do teste de caminhada de 6 minutos, escore compatível com comprometimento cognitivo, sendo para analfabetos (17 pontos); para idosos entre 1 e 4 anos (22 pontos), idosos com 5-8 anos de escolaridade (24 pontos) e idosos com 9 ou mais anos de escolaridade (26 pontos), com base no Mini Exame do Estado Mental.20

Foram utilizados quatro instrumentos: um questionário com informações sociodemográficas e dados antropométricos, o Mini Exame do Estado Mental (MEEM) excluiu da pesquisa os idosos que apresentavam alterações cognitivas que impossibilitavam a aplicação do questionário de qualidade de vida, questionário de Qualidade de Vida (WHOQOL-bref) sendo finalizado com o teste de caminhada de 6 minutos (TC6), de acordo com as recomendações da American Thoracic Society - ATS (2002).21

O cálculo do Índice de Massa Corporal (IMC) foi classificado de acordo com Lipschitz22 como: IMC < 22 kg/m2 como baixo peso, IMC entre 22-27 kg/m2 como eutrófico e IMC > 27 kg/m2 como excesso de peso, valores específicos para a população idosa.

O nível de significância adotado foi de p = 0,05. Para o cálculo do escore do questionário WHOQOL-bref, foram utilizadas as equações sugeridas por Marin.26 Quanto ao TC6, à distância percorrida esperada (DC) durante os seis minutos foi calculada de acordo com as equações sugeridas por Enright e Sherril.30

Na pesquisa de dados, realizada no período de janeiro a junho de 2010, dos 44 idosos das Instituições de Longa Permanência que não praticam atividade física, apenas 20 (45%) atenderam aos critérios de inclusão e os idosos não institucionalizados pertencentes ao CAISI fizeram parte do o estudo. Pesquisa 20 idosos que praticam atividade física há mais de um ano, totalizando 40 idosos entre idosos institucionalizados (Grupo 1) e não institucionalizados (Grupo 2).










Em relação ao perfil demográfico da amostra, houve diferença significativa entre os grupos quanto ao gênero, devido à predominância no sexo feminino. A prevalência do sexo feminino neste estudo é um fato descrito em outros estudos com idosos.31-33 Várias das hipóteses que justificam a longevidade feminina são devidas ao acompanhamento médico anterior, estilo de vida mais saudável e atenção à prevenção de doenças, levando, portanto, ao importante processo de “feminização da velhice”.32.34

A idade variou de 62 a 92 anos, com predomínio na faixa etária de 60 a 69 anos em ambos os grupos, como na maioria dos estudos encontrados com idosos.35-37

Nos achados referentes ao estado civil, o grupo 1 predominou 50% casado, seguido por 45% viúvos e o grupo 2 55% viúvos. 38,39Em relação à escolaridade, houve alta predominância de analfabetos no grupo 1 e no grupo 2, semelhante aos dados encontrados em pesquisas relacionadas ao perfil educacional de idosos brasileiros, que geralmente é pobre.40 Baixos níveis de escolaridade e más condições socioeconômicas estão associados a maiores riscos de incapacidade e morte, pois os idosos analfabetos podem estar mais sujeitos a dificuldades nas atividades básicas da vida diária, como simplesmente ler uma receita média e segui-la.41

Os resultados obtidos neste estudo em relação à religião revelam que 70% (grupo 1) e 100% (grupo 2) dos idosos são católicos. Religiosidade e espiritualidade são fenômenos relevantes no Brasil, uma vez que 92% da população se declarou adepta de uma religião no censo demográfico de 2010. Entre a população idosa, esse número se torna ainda mais importante, pois 96% deles relatam ser religiosos.6

A percepção da qualidade de vida dos idosos no grupo 1 foi alta como boa e no grupo 2, nem ruim / boa, com diferenças significativas entre os grupos. A responsabilidade de obter boa qualidade na velhice depende em grande parte do compromisso da sociedade e das políticas públicas de garantir condições, acrescentar ao cotidiano de todas as pessoas os fatores determinantes da boa qualidade de vida na velhice e remover os de baixa qualidade.42

Em todos os domínios (físico, ambiental, social e psicológico) do questionário WHOQOL-bref, os idosos praticantes de atividades físicas apresentaram médias mais elevadas do que aqueles que não praticam. 43-46

Outro indicador de grande relevância na avaliação da qualidade de vida são os dados antropométricos, pois podem influenciar negativamente a qualidade de vida, de acordo com a classificação obtida. É essencial criar estratégias para a promoção e prevenção da saúde de idosos residentes em ILPs, visando melhor qualidade de vida, mas hábitos de estilo de vida, como manutenção de peso adequado, atividade física regular, adequação e regularidade do sono, hábitos de não fumante e o não consumo de álcool influencia a idade fisiológica, refletindo sobre o estado de saúde do idoso e ajudando a manter a capacidade funcional e a autonomia.47

No aspecto físico da qualidade de vida dos idosos, o TC6 é um instrumento importante que avalia o aspecto físico da qualidade de vida dessa faixa etária. 48,49

A qualidade de vida das ILPIs para idosos é um produto de pelo menos quatro fatores: os cuidados prestados pela instituição, o estado do residente, sua personalidade e situação social (incluindo apoio familiar), capazes de influenciar ou não todos esses fatores da mesma maneira.50

Assim, os benefícios que a prática de atividade física sistematizada proporciona estão relacionados à manutenção da saúde, autonomia e independência dos idosos,51 devendo ser praticados regularmente, tanto em idosos institucionalizados quanto em idosos não institucionalizados, garantindo um impacto positivo na qualidade de vida destes.

Neste estudo, a variável sexo, estado civil, religião, percepção de qualidade de vida e saúde dos idosos apresentou diferenças estatisticamente significantes entre os dois grupos. O grupo de idosos não institucionalizados apresentou escores mais altos em todos os domínios da qualidade de vida em relação ao grupo de idosos institucionalizados, permitindo afirmar que a prática de atividade física é um fator positivo para a melhoria da qualidade de vida. O grupo de idosos não institucionalizados apresentou escores mais altos em todos os domínios da qualidade de vida em relação ao grupo de idosos institucionalizados, permitindo afirmar que a prática de atividade física é um fator positivo para a melhoria da qualidade de vida.



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